A doença de Peyronie é um distúrbio adquirido do pênis em que se forma uma placa fibrosa na túnica albugínea, levando a curvatura peniana, dor, deformidade (como estreitamento em "ampulheta"), encurtamento e, muitas vezes, disfunção erétil. É mais comum em homens entre 40 e 70 anos e tem forte impacto emocional. Nas provas de residência, o tema aparece em urologia com foco em fases da doença, diagnóstico clínico e escolha do tratamento.

O que é a doença de Peyronie

Acredita-se que a doença resulte de microtraumas repetidos durante a relação sexual em indivíduos predispostos, com cicatrização anormal e deposição desorganizada de colágeno na túnica albugínea. A placa não se distende na ereção, e o pênis se curva para o lado da placa (mais frequentemente para cima, por placas dorsais).

Fatores de risco e associações

  • Contratura de Dupuytren e outras fibromatoses (associação clássica de prova).
  • Diabetes, hipertensão, dislipidemia e tabagismo.
  • Disfunção erétil prévia e trauma peniano.
  • Cirurgias prévias de próstata (prostatectomia radical).
  • Predisposição genética/familiar.

Fases da doença

Fase aguda (ativa)

Costuma durar 12 a 18 meses. Caracteriza-se por dor peniana (em repouso ou na ereção), placa em formação e curvatura em progressão.

Fase crônica (estável)

A dor geralmente desaparece e a deformidade se estabiliza. A doença é considerada estável quando a curvatura permanece sem mudança por cerca de 3 meses. Esse é o momento em que a cirurgia pode ser considerada.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico. Segundo a diretriz da American Urological Association (AUA), a avaliação inclui:

  • História detalhada: tempo de início, dor, progressão, função erétil e impacto psicológico.
  • Exame físico do pênis flácido, com palpação da placa e medida do comprimento peniano estirado.
  • Avaliação da deformidade em ereção antes de tratamentos invasivos: idealmente com ereção induzida por injeção intracavernosa, com ou sem ultrassonografia com Doppler (que também avalia a hemodinâmica peniana).
  • Fotografias caseiras podem complementar, mas não substituem a avaliação em ereção antes de procedimentos.

Tratamento

A conduta depende da fase da doença, do grau da curvatura, da função erétil e do incômodo do paciente. Nem todos precisam de tratamento: homens com curvatura leve, sem dor e com relações satisfatórias podem ser apenas observados.

O que a AUA desaconselha

  • Terapias orais como vitamina E, tamoxifeno, procarbazina, ômega-3 e a combinação vitamina E + L-carnitina: não devem ser oferecidas, pois não mostraram benefício.
  • Radioterapia extracorpórea.
  • Corticoides intralesionais.

O que pode ser oferecido

  • AINEs orais para controle da dor na fase ativa.
  • Ondas de choque (ESWT): para dor, mas não para corrigir curvatura.
  • Colagenase de Clostridium histolyticum intralesional (associada a modelagem peniana): para curvatura entre 30° e 90° com função erétil preservada, na doença estável.
  • Interferon alfa-2b ou verapamil intralesionais.
  • Dispositivos de tração peniana como terapia adjuvante.
  • Inibidores da PDE5 para a disfunção erétil associada.

Tratamento cirúrgico

Indicado apenas na fase estável (doença sem progressão por pelo menos 3 meses, em geral após 12 meses do início), em pacientes com deformidade que impede a relação.

  • Plicatura da túnica albugínea: curvaturas menos acentuadas, sem deformidades complexas e com boa função erétil. Pode encurtar o pênis.
  • Incisão ou excisão parcial da placa com enxerto: curvaturas mais graves ou deformidades complexas (ampulheta, entalhe), com boa função erétil.
  • Prótese peniana: quando há disfunção erétil refratária ao tratamento clínico, com manobras de correção da curvatura se necessário.

O que mais cai na prova

  • Placa fibrosa na túnica albugínea, curvatura para o lado da placa.
  • Associação com contratura de Dupuytren.
  • Fase aguda (dor e progressão) x fase crônica (estável).
  • Cirurgia somente na doença estável.
  • Vitamina E e tamoxifeno não têm benefício comprovado.
  • Prótese peniana quando há disfunção erétil refratária.

Referências

Nehra A et al. Peyronie's Disease: AUA Guideline. J Urol, 2015 (PubMed).

American Urological Association. Peyronie's Disease Guideline.

NIDDK/NIH. Penile Curvature (Peyronie's Disease).

StatPearls – NCBI Bookshelf. Peyronie Disease.

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